Destinos Cruzados: A Jornada de Dois Viajantes pelo Brasil

Destinos Cruzados: A Jornada de Dois Viajantes pelo Brasil

Uma história de Arthur Lanari

Algumas conexões que fazemos na estrada parecem escritas pelo acaso – ou pelo destino, se preferir. São encontros que acontecem sem aviso, em lugares inesperados, e que, de alguma forma, mudam o rumo da nossa viagem, ou até da nossa vida.

Foi assim com Arthur Lanari e Jean, um viajante gaúcho que largou tudo para viver na estrada. Em pouco menos de um ano, seus caminhos se cruzaram quatro vezes, em quatro estados diferentes, como se a vida insistisse em manter essa amizade em movimento. Cada reencontro foi marcado por novas histórias, aprendizados e reviravoltas dignas de um livro – e talvez até de um filme.

O que começou com uma conversa despretensiosa em um hostel no Piauí virou uma sequência de encontros improváveis entre caronas, noites de música, trabalho na estrada e até paixões inesperadas. Jean, inspirado por Arthur, mergulhou no mundo das caronas e das artes de rua, transformando sua jornada em uma aventura imprevisível.

E no último reencontro, entre risadas e cervejas na Chapada Diamantina, um detalhe inesperado fez Arthur perceber que sua própria história tinha acabado de se repetir nos passos de outro viajante.

Preparado para conhecer essa história? Então se ajeite, porque esse relato vai te fazer repensar o significado de destino e liberdade.


Nos últimos meses, encontrei esse viajante quatro vezes, em quatro estados diferentes! Detalhe: nos conhecemos em outubro do ano passado.

Apresento a vocês o Jean, um viajante gaúcho que está na estrada desde o ano passado e já viveu tanta coisa que qualquer um ficaria surpreso.

Nos conhecemos no Hostel Raízes, em Barra Grande-PI, quando eu estava viajando com minha mãe – uma das viagens anuais que fazemos quando ela vem me visitar. O Jean era voluntário do hostel, e logo na nossa primeira conversa a sintonia bateu. Ele prestava atenção em tudo, principalmente quando o assunto era viajar de carona. Nos primeiros meses de estrada, sentindo-se capaz de viver qualquer experiência, ele ficou animado com tudo o que conversamos.

E olha que doideira: inspirado por esse papo, o Jean passou a viajar o Brasil de carona também! A cada trecho percorrido, me mandava uma mensagem contando como conseguiu as caronas e as experiências que estava vivendo. Mas nossa conexão ia além disso: falávamos sobre tudo, e sempre que acontecia algo que havíamos conversado, ele compartilhava comigo.

Nosso segundo reencontro foi em Jericoacoara-CE. Novo estado, nova experiência marcante para o Jean: ele começou a manguear. (Para quem não sabe, "manguear" é um termo muito usado pelos viajantes que vivem de sua arte. Não é apenas vender algo, mas trocar uma ideia, compartilhar histórias. Exemplo: "Vou para a praça manguear"). Jean mangueava tirando fotos dos turistas e conseguia fazer uma grana boa todos os dias.

O terceiro reencontro aconteceu em Pipa-RN. A cada novo encontro, mais histórias se acumulavam entre nós.

E então, no quarto e mais inesperado encontro, eu estava na Chapada Diamantina, andando pelas ruas enquanto mangueava com meus livros, quando, de repente, vi um cara devorando uma pizza como se não houvesse amanhã. Esse cara era o Jean! Pela quarta vez!

Infelizmente, era o último dia dele na Chapada-BA. Ainda assim, decidimos aproveitar a noite juntos e fomos para o Quincas, um barzinho onde a galera local se reúne para tomar uma cerveja e conversar. Para quem for a Lençóis-BA, recomendo muito. O que seria uma noite tranquila de papo e cerveja se transformou em uma roda de samba e pagode que durou até as 2h da manhã. Só fui embora porque precisava caminhar até o Barro Branco, na parte rural da cidade – uma caminhada de 6 quilômetros. Geralmente, termino de manguear mais cedo e consigo uma carona, mas, por esse cara, fiz questão de ficar até mais tarde e encarar a caminhada. Valeu a pena, irmão!

Para fechar essa história da melhor forma, no dia seguinte o Jean me mandou uma foto na estrada com uma plaquinha de papelão, pegando carona para ir atrás de uma mulher que conheceu. Junto com a foto, ele soltou uma frase inesperada: "Igual tu fez com a Sharon!"

A Sharon foi a primeira mulher por quem me apaixonei durante uma viagem. Fui atrás dela de carona e escrevi sobre essa experiência no meu livro. Quem diria que um dia eu inspiraria alguém a fazer o mesmo?

A vida é uma doideira. Não tente entendê-la. Apenas viva!

 

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